Sobre o autor:

* Giuliano Moretti é engenheiro químico, pós-graduado (MBA) em Sistemas de Gestão Ambiental, Mestre em Gestão Ambiental, Professor do curso MBA em Gestão e Auditoria Ambiental (Universidade Positivo), Professor da Faculdade Dom Bosco, perito e assistente ambiental judicial, auditor e consultor da Preserva Ambiental Consultoria.

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A Eterna Tragédia dos Comuns

por GIULIANO MORETTI*


A problemática classificada como a “Tragédia dos Comuns” por Garrett Hardin em 1968 nunca se mostrou tão evidente quanto nos dias de hoje, sobretudo em função da consolidação de um mundo capitalista e globalizado, baseado no consumismo como um fim, no qual as ações atreladas a interesses materiais da privilegiada minoria comprometem a prosperidade da civilização como um todo. Como prosperidade, para tanto, entende-se as “melhores condições de sobrevivência, por meio de uma distribuição quantitativa e qualitativamente equilibrada dos recursos que mantêm a harmonia existencial”.

A questão do crescimento populacional desenfreado e ilimitado, dispondo-se de finitos recursos materiais e físicos, torna-se relevante, segundo o autor, a partir do momento em que as conseqüências inobservadas pela soberba humana, exponencialmente acentuada pelo inchaço de interesses individualistas, vêm limitar as condições de sobrevivência do coletivo. “O homem está preso num sistema que o compele a incrementar seu rebanho sem nenhum limite – num mundo que é limitado”. Aliadas a um conceito distorcido de “liberdade”, as ações antrópicas, que se caracterizam pelo acúmulo desmedido de riquezas materiais, potencializam a miséria do mundo e contemplam o próprio ser humano com suas conseqüências de médio e longo prazos.

Por meio de diversas análises do mecanismo comportamental humano, como o crescimento populacional que gera explicitamente sua contribuição à tragédia dos comuns , o autor supõe como este mecanismo conduz à sucumbência do equilíbrio da vida, minando o futuro da experiência de todos os seres.

Percebe-se que a questão fundamental trazida tacitamente pelo autor é, em síntese, a supervalorização do “EU” em detrimento dos outros (sejam humanos ou não), de forma egocêntrica e antropocêntrica, o que resulta no declínio acelerado do bem-estar da sociedade. A problemática se ratifica a partir do momento em que a solução reducionista, baseada apenas na tecnologia, resolveria a questão da superpopulação, tal como é acreditado por muitos. Porém, ainda segundo o autor, urge a necessidade de uma efetiva mudança nos “valores humanos”, pois, talvez, a solução da superpopulação mundial conjugada com a distribuição eqüitativa dos recursos, repousaria sobre esta vertente.

Portanto, o contexto civilizacional ora desenvolvido clama pela reflexão dos valores existenciais, no sentido de se reverter o quadro de conflitos de interesses e a conseqüente degradação da qualidade “da” vida. A superexploração de recursos para benefícios individuais, que se sobrepõe à resiliência ambiental e decorre das “incomensuráveis” ambições humanas, resulta na exclusão da grande massa populacional na partilha dos dividendos provindos desta exploração. E, utopicamente, podendo compartilhar da divisão justa dos recursos, seria ambientalmente inviável. Com o aumento populacional ilimitado, segundo bem lembra o autor, dá-se uma clara garantia de que, em tempos vindouros, o estigma ora desferido conduzirá à incapacidade de manutenção da vida, comprometendo toda a existência sócioambiental, experimentada por tudo e por todos.

Recomendo a leitura do artigo A Tragédia dos Comuns - Revista Science.

 

 

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